quarta-feira, 13 de março de 2013

Mulheres Negras na Música - Parte 2


11) Alaíde Costa (RJ, 1935/) - Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide nasceu no Rio de Janeiro e começou sua carreira no programa A Raia Miúda, de Renato Murce. Mas já tinha vencido um programa aos 13 anos (Sequência G3, na Tupi, comandado por Paulo Gracindo). É muito conhecida pela música Onde Está Você (1964), é uma grande representante da bossa nova, e era amiga de Dolores Duran. Seu primeiro disco foi gravado em 1956, e a ele seguiram-se mais 33, sendo que o mais recente é de 2011. Suas principais músicas foram Canção do Amor Sem Fim (Alaíde Costa e Geraldo Vandré, 1961), Onde Está Você (1964), Preconceito (Adilson Godoy, 1965), Preciso Aprender A Ser Só (Marcos Paulo Sérgio Valle, 1965), e outras. Fonte: http://www.cantorasdobrasil.com.br/cantoras/alaide_costa.htm



12) Elza Soares (RJ, 1937/) - Elza da Conceição Soares nasceu na Vila Vintém, uma das favelas mais antigas do Rio de Janeiro, filha de operário e lavadeira. Em 1949, com apenas 12 anos, foi obrigada, pelo pai, a se casar com Lourdes Antônio Soares, conhecido como Alaúrdes. Seu primeiro filho, João Carlos, nasceu quando ela tinha 13 anos e morreu de desnutrição. Mas, antes dele morrer, ela tentou de tudo, inclusive cantou no programa de Ary Barroso, na Rádio Tupi, onde se destacou por seu talento. Mesmo assim, não conseguiu salvar a vida do filho. Aos 15 anos teve seu segundo filho, que também não resistiu e morreu. Além dessas perdas, Elza teve que trabalhar numa fábrica de sabão, para sustentar a casa, pois o marido estava muito doente. Ele acabou morrendo tuberculoso em 1957, quando ela tinha 20 anos. Elza se viu só e com cinco filhos para criar, e teve que trabalhar como doméstica. Mas, mesmo assim, quando sobrava tempo, cantava em bares. Em 1959, aos 22 anos, Elza deu sua filha mais nova para um casal criar. Eles prometeram que ela sempre poderia ver a menina, e ainda ajudariam na criação dos outros quatro. Mas sumiram, e Elza perdeu o contato com a filha, entrando em depressão. Mesmo assim, lutou e seguiu em frente. Em 1962 conheceu o jogador Garrincha (Manuel Francisco dos Santos, 1933/1983) e ele quis separar-se, para viver com ela. Mas a sociedade da época não aceitou e acusou-a de acabar com o casamento dele. Mesmo assim, os dois se casaram, e viveram entre 1968 e 1982. Ele teve nove filhas com a primeira mulher (Nair), e queria um filho de Elza. O menino nasceu em 1977 e foi batizado como Manuel Garrincha dos Santos Júnior, o GarrinchinhaGarrincha faleceu em 1983 e o filho morreu atropelado quando tinha nove anos, em 1986. A tristeza fez com que ela fosse viver no exterior, viver de sua música, durante nove anos. Quando voltou, conseguiu descobrir o paradeiro da filha sumida, o que lhe fez bem. Dona de uma voz inconfundível, Elza Soares já gravou inúmeros discos e CDs, com destaque para suas interpretações, como Se Acaso Você Chegasse (1959), Mulata Assanhada (1960), As Polegadas da Mulata (1960), Só Danço Samba (1963), Quizumba (1966), Não Me Diga Adeus (1969), O Meu Guri (1997), Façamos (2002), e muitas outras.




13) - Aparecida (MG, 1939/) - Maria Aparecida Martins nasceu em CaxambuMinas Gerais. Desde cedo, aprendeu ritmos africanos, com sua família. Em 1949, sua família se mudou para o Rio de Janeiro, na Vila Isabel. Aparecida começou a compor e logo foi incluída no programa A Voz do Morro, de Salvador Batista. Em 1960, foi convidada a participar do filme Benito Sereno e O Navio Negreiro, com o qual ganhou uma viagem à França. Lá, apresentou-se numa boate, onde cantava suas próprias composições. Voltou ao Brasil em 1965 e logo ganhou o Concurso de Música de Carnaval do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro e o III Festival de Música de Favela com a samba Zumbi, Zumbi. Foi a segunda mulher, depois de Dona Ivone Lara, a compor um samba enredo vencedor. Em 1973 gravou seu primeiro disco, com as músicas Zumbi, Zumbi e Boa Noite.



14) Áurea Martins (RJ, 1940) - Adilma Pereira dos Santos iniciou sua carreira naos Anos 60, participando do programa Tribunal de Melodias, comandado por Mário Lago e Paulo Gracindo, na Rádio Nacional. Logo foi contratada, e começou a cantar ao lado dos também iniciantes Elis Regina e Peri Ribeiro (filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins). Em 1969 foi a primeira colocada na quarta edição do programa A Grande Chance, apresentado por Flávio Cavalcanti, na extinta TV Tupi. O prêmio foi a gravação de um disco (O Amor Em Paz, de 1972), e uma viagem a Portugal. Apesar de não ser conhecida da mídia, Áurea Martins é muito conhecida na noite carioca, e se apresentou com AlcioneEmílio SantiagoElza SoaresMilton NascimentoCarmen CostaDona Ivone LaraLeci Brandão e outros. Seu segundo disco (A Voz Rouca da Crooner) só foi lançado em 2004. Em 2008 lançou seu terceiro disco (Até Sangrar). Em 2010 gravou De Ponta Cabeça e em 2012 gravou Iluminante. Abaixo a foto da capa do disco de 2010:



15) Clara Nunes (MG, 1942/1983) - Clara Francisca Gonçalves nasceu em CaetanópolisMG e lá viveu até os 16 anos. Seu pai era serrador na fábrica de tecidos da cidade, e conhecido como Mané Serrador. Ela era a caçula de sete filhos, e logo se viu órfã de pai e mãe. Quem a criou foi a irmã Dindinha. Sua formação era católica e ela cantava músicas em latim, no coral da igreja local. Mas também cantava músicas "comuns", sendo que em 1952 ganhou um prêmio, cantando a música Recuerdos de Ypacarai. Tinha 10 anos então. Aos 14 anos começou a trabalhar como tecelã, na mesma fábrica onde o pai trabalhara. Mas logo se mudou para Belo Horizonte, onde foi morar com os irmãos Vicentina Joaquim.  Ali continuou trabalhando como tecelã, estudava a noite e participava do coral religioso nos finais de semana. Mas também se apresentou em programas de rádio, onde começou a se tornar conhecida, primeiro como Clara Francisca, e depois como Clara Nunes (sobrenome da mãe). No início dos anos 60 foi contratada como crooner pela Rádio Inconfidência de Belo Horizonte. Foi eleita, durante três anos consecutivos, a melhor cantora de Minas Gerais e em 1963 começou a apresentar um programa seu, Clara Nunes Apresenta, na TV Itacolomi. Nesse programa, se apresentaram artistas do quilate de Altemar Dutra e Ângela Maria. Mas durou somente um ano e meio. Em 1965, Clara mudou-se para o Rio de Janeiro. Apresentou-se em diversos programas e em 1966 gravou seu primeiro disco, A Voz Adorável de Clara Nunes. Em 1968 gravou seu segundo disco, Você Passa e Eu Acho Graça, com músicas como Sabiá, de Tom Jobim e Chico BuarquePra Esquecer (Noel Rosa), Você Passa e Eu Acho Graça (Carlos Imperial e Ataulfo Alves) e Grande Amor (Martinho da Vila). Em 1969, ela gravou A Beleza Que Canta. Nessa época, Clara Nunes se converteu ao candomblé e, em 1970, foi se apresentar em Angola. Em 1971 gravou o disco Clara Nunes, com músicas como Ê Baiana e Feitio de Oração (Noel Rosa). Em 1972 gravou Clara, Clarice, Clara, onde canta Seca do Nordeste (Waldir de Oliveira e Gilberto Andrade), Morena do Mar (Dorival Caymmi), Anjo Moreno (Candeia) e Clarice (Caetano Veloso e Capinan), entre outros. Em 1973 ela gravou o disco Clara Nunes, onde canta Tristeza Pé No Chão (Armando Fernandes), Umas e Outras (Chico Buarque) e É Doce Morrer no Mar (Dorival Caymmi). Se apresentou com Vinícius Toquinho, em Salvador, e também viajou pela Europa, fazendo shows. Na Europa lançou o disco Brasília, que serviu de base para o disco Alvorecer, de 1974. Nesse disco ela canta Menino Deus (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), Samba da Volta (Vinícius Toquinho), O Que É Que A Baiana Tem (Dorival Caymmi), Meu Sapato Já Furou (Élton Medeiros e Mauro Duarte), Conto de Areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento) e Pau-de-Arara (Guio de Morais e Luis Gonzaga), entre outras. Ainda em 1974 estrelou o espetáculo Brasileiro Profissão Esperança, ao lado de Paulo Gracindo. Esse show gerou um disco homônimo com músicas como Ternura Antiga (Ribamar Dolores Duran), Ninguém Me Ama (Fernando Lobo e Antonio Maria), Estrada do Sol (Tom Jobim e Dolores Duran), Manhã de Carnaval (Luis Bonfá e Antônio Maria), Por Causa de Você (Tom Jobim e Dolores Duran) e outras. Nesse ano ela se casou com o compositor Paulo César Pinheiro. Em 1975 gravou o disco Claridade, com músicas como O Mar Serenou (Candeia) e Valsa de Realejo (Guinga Paulo César Pinheiro). Esse disco bateu recordes de vendagem, fazendo com que as gravadoras percebessem o potencial das mulheres na indústria do disco. Em 1976, Clara Nunes gravou Canto das Três Raças, com as músicas Canto das Três Raças (Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte), Lama (Mauro Duarte), Ai Quem Me Dera (Vinícius de Moraes) e Retrato Falado (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro), entre outras. Em 1977 ela inaugurou o Teatro Clara Nunes e lançou o disco As Forças da Natureza, com as músicas As Forças da Natureza (João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro), Coração Leviano (Paulinho da Viola) e Fado Tropical (Chico Buarque e Ruy Guerra), entre outras. Ela também apresenta sua primeira composição, À Flor da Pele, em parceria com Paulo Cesar Pinheiro e Mauricio Tapajós. Em 1978 gravou Guerreira, com as músicas Guerreira (João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro) e Jogo de Angola (Mauro Duarte e Paulo Cesar Pinheiro), entre outras. Em 1979 gravou Esperança, com as músicas Na Linha do Mar (Paulinho da Viola), Ê Favela (Candeia e Jaime) e Feira de Mangaio (Sivuca Glória Gadelha). Em 1980 viajou novamente para Angola, desta vez com outros cantores e compositores, como Elba RamalhoDjavan Chico Buarque. Na volta, gravou o disco Brasil Mestiço, com a música Morena de Angola (Chico Buarque).  Em 1981 gravou Clara, com a música Portela na Avenida (Mauro Duarte e Paulo Cesar Pinheiro). Em 1982 gravou Nação, com as músicas Nação (João BoscoAldir Blanc e Paulo Emílio), Ijexá (Edil Pacheco), Novo Amor (Chico Buarque) e Mãe África (Sivuca Paulo César Pinheiro), entre outras. Em 1983, a cantora se submeteu a uma cirurgia de varizes e acabou em coma, vindo a falecer após 28 dias.



16) Jovelina Pérola Negra (RJ, 1944/1998) - Jovelina Faria Belfort foi doméstica e desfilava na ala das baianas, na Escola de Samba Império Serrano



17) Lecy Brandão (RJ, 1944/) -



18) Lia de Itamaracá (PE, 1944/) - 



19) Zezé Motta (1948/) -


20) Eliana Pittman (RJ, 1945/) -



21) Regina (RJ, 1946/) - Trio Esperança


22) Rosa Marya Colin (1946/) -



23) Alcione (MA, 1947/) - 




24) Evinha (RJ, 1951/) - 



25) Dhu Moraes (1953/) - As Frenéticas


26) Tânia Alves (RJ, 1953/) - 



27) Carmen Silva (MG, 1954/) - 



28) Sandra de Sá (RJ, 1955/) -



29) Marisa (RJ, 1957/) - Trio Esperança

30) Lady Zu (SP, 1958/) - 



31) Arícia Mess (RJ, 1959/) - é de NiteróiRJ, começou sua carreira em 1993 e já gravou dois CDs: Cabeça Coração (2000) e Onde Mora O Segredo (2010);



32) Daúde (BA, 1961/) -



33) Margareth Menezes (BA, 1962/) -


34) Izzy Gordon (SP, 1963/) - 



35) Virgínia Rodrigues (1964/) -


36) Mart'nália (RJ, 1965/) -



37) Doralice (1967/) - Doralice Otaviano é mineira, e é uma das vozes do grupo A Quatro Vozes, desde 1994. É meso-soprano, toca violão e piano e é formada em Psicologia;



40) Ana Costa (RJ, 1968/) - 



41) Nilze Carvalho (RJ, 1969/) - 



42) Simone Moreno (BA, 1969/) -

43) Paula Lima (SP, 1970/) -



44) Jurema (1971/) - Jurema V. Otaviano é mineira, irmã de Doralice e integrante do grupo A Quatro Vozes;



45) Preta Gil (RJ, 1974/) - 



46) Jussara (1975/) - Jussara Otaviano é de GuaxupéMG, assim como suas irmãs Doralice Jurema. Ela é a soprano do quarteto A Quatro Vozes;



47) Vanessa da Matta (MT, 1976/) - 



48) Carla Cristina (1977/) -

49) Mariene de Castro (BA, 1978/) - 



50) Luciana Mello (1979/) - 



51) Negra Li (SP, 1979/) - 



52) Quelynah (1981/) -



53) Ellen Oléria (1982/) -



54) Thatiana (1984/) - Thatiana Otaviano é a caçula das irmãs Otaviano, e nasceu em Pouso Alegre (MG), diferente de suas irmãs, que nasceram em Guaxupé. Ela estreou no grupo aos 12 anos, e atualmente é a contralto. O grupo já gravou três CDs, um em 2002 (Felicidade Guerreira), outro em 2004 (O Canto de Minas) e o terceiro em 2008 (Interior)


55) Leilah Moreno (1984/) -


E ainda: Graça Cunha, Ivete Souza, Leila Maria, Misty, Virgínia Rosa, Ju Moraes, Ludmilah Anjos, Késia Estácio, Loalwa Braz...

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