terça-feira, 1 de maio de 2012

Ai Que Saudades da Amélia (1942)


Ai Que Saudades da Amélia (1942)
Ataulfo Alves e Mário Lago

Nunca vi fazer tanta exigênciaNem fazer o que você me fazVocê não sabe o que é consciênciaNão vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riquezaTudo o que você vê, você querAi meu Deus que saudade da AméliaAquilo sim que era mulher
As vezes passava fome ao meu ladoE achava bonito não ter o que comerE quando me via contrariado diziaMeu filho o que se há de fazer
Amélia não tinha a menor vaidadeAmélia que era a mulher de verdade
***
"Ai Que Saudades da Amélia" tem três personagens: o protagonista, sua mulher e Amélia, a mulher que ele perdeu. O tema é um confronto dos defeitos da mulher atual com as qualidades da mulher anterior. A atual, a quem o protagonista se dirige, é exigente, egoísta, "Só pensa em luxo e riqueza", enquanto a anterior é um exemplo de virtude e resignação - "Amélia não tinha a menor vaidade, (...) achava bonito não ter o que comer... '. Em suma, a primeira é o presente, a realidade incontestável; a segunda é o passado, uma saudade idealizada na figura da mulher perfeita, pelos padrões da época.

Este primoroso poema popular, coloquial espontâneo, escrito por Mário Lago , recebeu de Ataulfo Alves uma de suas melhores melodias, que expressa musicalmente o espírito da letra. E o paradoxal é que não sendo carnavalesco, este samba fez estrondoso sucesso no carnaval.

Segundo Mário Lago, "Amélia nasceu de uma brincadeira de Almeidinha, irmão de Araci de Almeida, que sempre que se falava em mulher costumava brincar - 'Qual nada, Amélia é que era mulher de verdade. Lavava, passava, cozinhava..."'. Então, Mário achou que aquilo dava samba e fez a letra inicial de "Ai Que Saudades da Amélia". Brincadeiras à parte, a verdade é que a Amélia do Almeidinha existiu e, possivelmente, ainda vivia à época da canção. Era uma antiga lavadeira que serviu à sua família. Morava no subúrbio do Encantado (Zona Norte do Rio) e trabalhava para sustentar uma prole de nove ou dez crianças.

Com a letra pronta, Mário pediu a Ataulfo Alves para musicá-la. O compositor executou a tarefa, mas alterou algumas palavras e aumentou o número de versos de doze para quatorze. "Isso é natural" - comentava Ataulfo, em depoimento para o MIS do Rio de Janeiro, em 17.11.65 -, "as composições dos parceiros que são letristas sofrem influência minha, que sou autor de letra e música. Mas o Mário não gostou. E não adiantou dizer que a música me obrigara a fazer as modificações". De qualquer maneira, como o samba estava bom, ficaram valendo as alterações.

Começou então a batalha da gravação. Ataulfo ofereceu "Amélia" em vão a vários cantores, inclusive a Orlando Silva. Como ninguém queria gravá-la, gravou-a ele mesmo na Odeon, no dia 27.11.41, acompanhado por um improvisado conjunto, batizado de Academia de Samba. Convidado na hora, Jacó do Bandolim participou dessa gravação, tocando cavaquinho, sendo sua a introdução.

Lançado no suplemento de janeiro de 1942, "Ai Que Saudades da Amélia" foi conquistando aos poucos a preferência do público, graças, principalmente, a uma intensa atuação de Ataulfo junto às rádios. Relembra Mário Lago que o locutor Júlio Louzada chegou a dedicar, na Rádio Educadora, uma tarde inteira de domingo a "Amélia", com entrevistas e o disco tocando dezenas de vezes. O resultado é que às vésperas do carnaval, quando houve o concurso para escolher o melhor samba, "Ai Que Saudades da Amélia" dividia o favoritismo com "Praça Onze", de Herivelto Martins e Grande Otelo. Realizado no estádio do Fluminense, este concurso reuniu uma enorme platéia que, de acordo com o regulamento, elegeria por aplauso os vencedores.

Precedendo "Amélia", apresentou-se "Praça Onze", valorizada por um verdadeiro show, preparado por Herivelto. Primeiro foram mostrados os instrumentos, explicando-se as funções de cada um; em seguida, vieram as passistas, um grupo sensacional de mulatas rebolando; e, finalmente, cantou-se o samba, que levou a platéia ao delírio, dando a impressão de que o certame já estava decidido. Acontece, porém, que "Amélia" também tinha seus trunfos. Tim e Carreiro, amigos de Mário e craques do time do Fluminense, que acabara de ganhar o bicampeonato carioca de futebol, haviam feito um excelente trabalho junto à torcida tricolor.

Para completar, no momento da apresentação, Mário Lago subiu ao palco e, num rasgo de eloqüência e demagogia, fez um discurso emocionante, proclamando "Amélia" símbolo da mulher brasileira. Assim, quando Ataulfo e suas pastoras começaram a cantar o estádio veio abaixo, praticamente exigindo a vitória dos dois sambas. Sem a possibilidade de desempatar, o presidente do Fluminense, Marcos Carneiro de Mendonça - por coincidência, casado com uma "Amélia", a poetisa Ana Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça - autorizou o pagamento em dobro do prêmio de campeão a "Ai Que Saudades da Amélia" e "Praça Onze", cada um recebendo como se tivesse ganho sozinho.


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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Dorival Caymmi (1914/2008)

Algumas das músicas mais conhecidas de Dorival Caymmi:


Canção: O Mar

O mar 
Quando quebra na praia
É bonito... é bonito




Canção: Só Louco



Só louco
Amou como eu amei
Só louco
Quis o bem que eu quis
Oh, insensato coração
Por quê me fizeste sofrer ?
Porque de amor para entender
É preciso amar
Por quê?     
Só louco, só louco...


Canção: História de Pescadores


Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem-querer
Se Deus quiser, quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer




Canção: O Samba da Minha Terra



O samba da minha terra
Deixa a gente mole
Quando se canta
Todo mundo bole
Quando se canta
Todo mundo bole


Canção: Marina



Marina, morena
Marina, você se pintou
Marina, você faça tudo
Mas faça um favor
Não pinte esse rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina, você já é bonita
Com o que Deus lhe deu


Canção: Acalanto



É tão tarde
A manhã já vem
Todos dormem
A noite também
Só eu velo
Por você, meu bem
Dorme anjo
O boi pega neném


Canção: O Que É Que A Baiana Tem?



O que é que a baiana tem? 
Que é que a baiana tem?


Tem torço de seda, tem
Tem brincos de ouro, tem
Corrente de ouro, tem
Tem pano-da-Costa, tem
Tem bata rendada, tem
Pulseira de ouro, tem
Tem saia engomada, tem
Sandália enfeitada, tem
Tem graça como ninguém 
Como ela requebra bem! 
Quando você se requebrar
Caia por cima de mim 
Caia por cima de mim 
Caia por cima de mim 




Canção: Peguei Um Ita No Norte



Ai ai, ai ai 
Adeus Belém do Pará
Ai ai, ai ai 
Adeus Belém do Pará


Peguei um Ita no Norte
Pra vim pro Rio morar
Adeus meu pai, minha mãe
Adeus Belém do Pará


Fontehttp://www.dorivalcaymmi.com.br/sitebiografico/







sábado, 14 de abril de 2012

Brasil Pandeiro (1941)


O samba Brasil Pandeiro foi composto por Assis Valente para Carmen Miranda, por ocasião da volta da cantora, após seu período inicial de atuação nos Estados Unidos. Mas Carmen não gostou da composição, que acabou sendo lançada pelos Anjos do Inferno.

De feitio diferente dos sambas ufanistas da época, Brasil Pandeiro é, pode-se dizer, um samba-exaltação ao estilo de Assis Valente ( "Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar / o Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada /(...)/ Brasil, esquentai vossos pandeiros / iluminai os terreiros / que nós queremos sambar-ô-ô...").

Preferido dos maiores conjuntos vocais de seu tempo, Assis Valente reviveria a tradição mesmo depois de morto, quando em 1972 Brasil Pandeiro faria enorme sucesso nas vozes dos Novos Baianos.

Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor 
Eu fui à Penha e pedi à padroeira para me ajudar 
Salve o Morro do Vintém, pendura a saia que eu quero ver 
Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar 
O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada 
Anda dizendo que o molho da baiana melhorou seu prato 
Vai entrar no cuscuz, acarajé e abará 
Na Casa Branca já dançou a batucada de Ioiô e Iaiá 
Em Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros 
Que nós queremos sambar 
Em Há quem camte diferente, noutras terras, outra gente 
Um batuque de matar 
Em Batucada, reuni vossos valores, pastorinhas e cantores 
Expressões que não tem par, oh meu Brasil, Brasil 
Em Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros 

Que nós queremos sambar 



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Músicas dos Anos 40 - Parte 2

1946

Baião (baião, 1946) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérprete: Luiz Gonzaga


Copacabana (samba-canção, 1946) - João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Dick Farney


Mensagem (samba, 1946) - Cícero Nunes e Aldo Cabral - Intérprete: Isaura Garcia


Mia Gioconda (canção, 1946) - Vicente Celestino - Intérprete: Vicente Celestino


1947


Asa branca (toada, 1947) - Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga - Intérprete: Luiz Gonzaga




Felicidade (toada, 1947) - Lupicínio Rodrigues - Intérprete: Quarteto Quitandinha




Gilda (samba/carnaval, 1947) - Mário Lago e Erasmo Silva - Intérprete: Sílvio Caldas




Marina (samba-canção, 1947) - Dorival Caymmi





Pirata da Perna de Pau (marcha/carnaval, 1947) - João de Barro - Interpretação: Nuno Roland




1948


Adeus, América (samba, 1948) - Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa - Intérprete: Os Cariocas




Caminhemos (samba-canção, 1948) - Herivelto Martins - Intérprete: Nelson Gonçalves




Falta um zero no meu ordenado (samba/carnaval, 1948) - Ary Barroso e Benedito Lacerda - Intérprete: Francisco Alves

Não me diga adeus (samba/carnaval, 1948) - Luís Soberano, J. Correia da Silva e Paquito - Intérprete: Araci de Almeida


Saudades de Itapoã (canção, 1948) - Dorival Caymmi - Intérprete: Dorival Caymmi


Tem gato na tuba (marcha, 1948) - João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Nuno Roland




1949


Brasileirinho (choro, 1949) - Waldir Azevedo e Pereira da Costa - Intérprete: Ademilde Fonseca




Capelinha de Melão (cantiga/marcha, 1949) - Alberto Ribeiro e João de Barro - Intérprete: Emilinha Borba




Chiquita Bacana (marcha/carnaval, 1949) - João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Emilinha Borba




1950


Assum preto (toada, 1950) - Luiz Gonzaga e Humberto teixeira - Intérprete: Luiz Gonzaga




Cintura fina (xote, 1950) - Luiz Gonzaga e Zé Dantas - Intérprete: Luiz Gonzaga




Daqui Não Saio (marcha/carnaval, 1950) - Paquito e Romeu Gentil - Intérprete: Vocalistas Tropicais




Paraíba (baião, 1950) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérpretes: 4 Ases e 1 Coringa




Que será (bolero, 1950) - Marino Pinto e Mário Rossi - Interpretação: Dalva de Oliveira




Qui nem jiló (baião, 1950) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérprete: Luiz Gonzaga








domingo, 25 de março de 2012

Músicas dos Anos 40 - Parte 1

1941

Allah-la-ô (marcha/carnaval, 1941) - Haroldo Lobo e Nássara - Intérprete: Carlos Galhardo




Aurora (marcha/carnaval) - 1941 - Mário Lago e Roberto Roberti - Intérpretes: Joel e Gaúcho





Brasil Pandeiro (samba, 1941) - Assis Valente - Intérprete: Anjos do Inferno





Canta Brasil (samba, 1941) - Alcir Pires Vermelho e David Nasser - Intérprete: Francisco Alves





É doce morrer no mar (canção, 1941) - Dorival Caymmi e Jorge Amado - Intérprete: Dorival Caymmi




Eu sonhei que tu estavas tão linda - (valsa, 1941) - Lamartine Babo e Francisco Matoso - Intérprete: Carlos José





Leva meu samba (samba, 1941) - Ataulfo Alves - Intérprete: Noite Ilustrada




O Bonde de São Januário (samba/carnaval, 1941) - - Wilson Batista e Ataulfo Alves - Intérprete: Ciro Monteiro




O Mar (canção, 1941) - Dorival Caymmi - Intérprete: Dorival Caymmi




Onde o céu azul é mais azul (samba, 1941) - Alcir Pires VermelhoAlberto Ribeiro e Braguinha - Intérprete: Francisco Alves





Os quindins de Iaiá (samba, 1941) - Ary Barroso - Interpretação: Emilinha Borba




Você já foi à Bahia? (samba, 1941) - Dorival Caymmi - Intérprete: Anjos do Inferno




1942


Ai, que saudades da Amélia (samba, 1942) - Ataulfo Alves e Mário Lago - Intérprete: Ataulfo Alves Jr.




Ave Maria do morro (samba, 1942) - Herivelto Martins




Isto aqui, o que é? (samba, 1942) - Ary Barroso - Interpretação: Moraes Neto




Nega do cabelo duro (batucada/carnaval, 1942) - David Nasser e Rubens Soares - Intérprete: Anjos do Inferno




Nós os carecas (marcha/carnaval, 1942) - Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti - Intérprete: Anjos do Inferno



1943


Adolfito Mata-Mouros (marcha/carnaval, 1943) - João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Orlando Silva





1944


Acontece que eu sou baiano (samba, 1944) - Dorival Caymmi - Intérprete: Anjos do Inferno





Atire a primeira pedra (samba, 1944) - Ataulfo Alves e Mário Lago - Intérprete: Orlando Silva





Canção do Expedicionário (marcha, 1944) - Spartaco Rossi e Guilherme de Almeida - Intérprete: Francisco Alves




Xamego (Vira e mexe, 1939) - Miguel Lima e Luiz Gonzaga - Intérprete: Carmen Costa





Como os rios que correm para o mar (samba-canção, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui - Intérprete: Orlando Silva

1945




Boogie-Woogie na Favela (samba, 1945) - Denis Brean - Intérprete: Ciro Monteiro




Peguei um ita no Norte (samba, 1945) - Dorival Caymmi - Intérprete: Dorival Caymmi






































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