segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Milagre das Antenas e do Microfone (Parte 2)

"Senhores ouvintes, bom dia! o rádio traz a paz, a educação, a alegria!" Há programas para todos os gostos e todas as horas.

Com a introdução do patrocínio de anunciantes, apareceram de imediato os programas de "variedades", primeiros a transformar o rádio em fenômeno social, com milhares e milhares de ouvintes cativos, os fans, que permitiram ao rádio influenciar o comportamento das pessoas e ditar suas modas. Em 1932, o programa Ademar Casé (abaixo), mais que os seus rivais ("Horas do Outro Mundo", de Renato Murce, assim chamado porque a irradiação era hipoteticamente feita em Saturno, e "Esplêndido Programa", de Waldo Abreu), desenvolvia todo o potencial do rádio. Casé mandava ao ar humorismo, teatro, contos e episódios históricos radiofonizados, paródias, música popular, histórias reais dramatizadas etc. etc. A grande audiência desse programa permitiu que, sob os auspícios de um purgante fabricado pelos Laboratórios Queirós, fossem lançados, entre outros, Carmen Miranda, Mário Reis, Francisco Alves, Lamartine Babo, Almirante, Noel Rosa e, até mesmo, o instrumentista Eleazar de Carvalho.


Mas, ao mesmo tempo que muitos se deliciam com a nova programação, outros protestam pelo desvirtuamento da função educativa do rádio. "O rádio é um optimo professor", escreve um ouvinte para a revista Carioca pedindo aulas de português, pois "desse modo veríamos acabar em pouco tempo este paradoxo: um povo que fala mal a própria língua". Sobre a correção da linguagem, outro ouvinte protesta: "Lá está o professor Bacuráo a contar, para a petizada, anedotas caipiras, que só servem para ensinar-lhes a falar errado".


Muitos escrevem para reclamar contra o abandono da tradição erudita: "Nossos ouvintes já se acham fatigados de tantas emboladas, rumbas, fox e sambas, que mais parecem música de negro em dia de candomblé". Outro ouvinte, menos preconceituoso, sugere que o samba pode ser tocado, mas desde que possua enredo, conte uma história edificante (como se fosse ópera), pois com letras tais como 'Meu Deus, que moamba, macaco me lamba', o que podem dizer os que no estrangeiro ouvem o programa nacional?"





Lasar Segall - Baile de Negros (1930)


Na verdade, o ouvinte do rádio em começos de 30 vive um conflito. O rádio lhe fora apresentado como símbolo de status e erudição, e de repente...Como explica um ouvinte: "Psychologicamente falando, o ouvinte de rádio é um typo interessante. Se faz parte da alta sociedade, recebe em casa o gran-fino, mantém o receptor na ópera, conversa acerca de Verdi. Mas quando as visitas se retiram...'No tabuleiro da bahiana tem...' "






quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Milagre das Antenas e do Microfone (Parte 1)

Nós somos as cantoras do rádio.
Levamos a vida a cantar.
De noite embalamos teu sono,
De manhã nós vamos te acordar.
Nós somos as cantoras do rádio.
Nossas canções, cruzando o espaço azul,
Vão reunindo, num grande abraço,
Corações de Norte a Sul.

João de Barro e Lamartine Babo

Alô. Com esta palavrinha, nova no vocabulário nacional (forma aportuguesada da saudação inglesa Hello), iniciava-se uma nova época, com o país adentrando a Era das Comunicações de Massa, dos ídolos e mitos populares. A revolução radiofônica começa em 1931. Mas o rádio já existia antes disso. A transmissão pioneira é de 1922, e emissoras regulares instalam-se a partir de 1923, de forma amadorística. As rádios pioneiras eram sociedades ou clubs, financiadas por seus associados com o benemérito objetivo de difundir a cultura e favorecer a integração nacional. Por essa razão é que as primeiras emissoras denominavam-se sempre Rádio Sociedade (do Rio de Janeiro, 1923; de São Paulo, 1924) ou Rádio Clube (Paraná, Pernambuco, São Paulo - Santos e Ribeirão Preto - todas de 1924). Abaixo, o Belvedere do Alto São Francisco (Curitiba), um dos locais onde funcionou a Rádio Clube Paranaense:


Até o início da década de 30, com 21 emissoras instaladas no país, a programação baseava-se em música clássica, ópera e textos "instrutivos". Em 1931, o Governo passava a se preocupar seriamente com o rádio, que definia como "serviço de interesse nacional e de finalidade educativa", regulamentando o seu funcionamento e passando a imaginar maneiras de proporcionar-lhe bases econômicas mais sólidas. Em decorrência, pouco depois, o Decreto-Lei 21 111, de 1º de março de 1932, autoriza a veiculação de propaganda pelo rádio.


A introdução de mensagens comerciais transfigura imediatamente o veículo. O que até então era erudito, instrutivo, "cultural", tende a transformar-se em popular, órgão de lazer e diversão. Surgem polêmicas: "O rádio deve educar o povo ou difundir formas inferiores de música, como o samba e outros gêneros do nosso folk-lore?" E os "reclames" (anúncios) que insultam a inteligência do ouvinte? Não se poderia reduzi-los?


O Paraná na Era do Rádio

01 de abril de 2009
Rádio Amador..com
Imagine uma Curitiba com pouco mais de 70 mil habitantes, um Rio Ivo limpinho “da silva” em que nas horas vagas alguns amantes da pesca se reuniam para pescar, imaginou? Agora imagine (para os de mais idade, lembre) a ponte sobre o Largo do Chafariz (hoje Praça Zacarias), uma praça com coreto, a Praça da República (hoje Rui Barbosa), e que por esse cenário transitava o bondinho (puxado por burros até 1913) com passagem paga em contos de réis.
Era nesse cenário que Lívio Gomes Moreira, entusiasmava-se com uma modernidade: o rádio. Com um equipamento precário, montado em sua casa, Lívio reunia-se com amigos para ouvir em um receptor, no sótão de sua casa, ópera, transmitida de outro local por outro grupo de amigos, assim começava a nascer a Rádio Clube Paranaense, B2, (atual Eldorado ESPN) a terceira rádio mais velha do Brasil.
No dia 27 de junho de 1924, os amigos reuniram-se para formar a emissora, 
veja a ata de fundação: 

Aos 27 dias do mês de junho do ano de 1.924, às onze horas da manhã, na



 residência do Sr. Fido Fontana, industrial desta Praça, presentes esse senhor


 e as seguintes pessoas, Senhores Livio Gomes Moreira, João Alfredo Silva, 


Olavo Bório, e Dr. Oscar Joseph de Plácido e Silva, estando devidamente


 representados os Senhores Dr. Ludovico Joubert, Euclides Requião, Bertoldo


 Hauer, Gabriel Leão da Veiga e Alberico Xavier de Miranda, todos amadores 


de radiotelefonia, foi fundada uma sociedade tendente à difusão de radiotelefonia, 


a qual tomou a denominação de Rádio Clube Paranaense. Pelos presentes foi


 aclamada uma diretoria provisória, constituída pelos senhores Fido Fontana,


 presidente, Livio Gomes Moreira, diretor técnico, e João Alfredo Silva, secretário-


tesoureiro. Foi incumbido o Sr. Livio Moreira de redigir o projeto-estatutário a ser


 discutido na próxima reunião que ficou marcada para o dia 15 de julho entrante. 


Enquanto não for instalada a estação irradiadora do novel clube, o Sr. Livio


 Moreira, que é o decano dos amadores de rádio em nosso Estado, quiçá no Brasil,


 por gentil deferência, ofereceu-se para irradiar diariamente, a título experimental,


 pela sua pequena estação transmissora, iniciando-se assim, desde já, a 


intensificação da radiotelefonia em nossa Capital. Pelo Sr. Presidente foi ordenada 


à secretaria a expedição de circulares comunicando a fundação do Rádio Clube


 Paranaense. Nada mais havendo a tratar-se, foi lavrada a presente Ata que vai


 assinada pelos presentes. "




As primeiras transmissões aconteceram da residência de Lívio Gomes Moreira. O primeiro transmissor tinha a potência de apenas 3 watts na antena. De início a rádio funcionava das 8h30 às 9h30 nas quartas e sextas-feiras. Aos domingos a transmissão acontecia das 14h às 15h. A programação era basicamente de música clássica.
Postado por Ediney Giordani

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Francisco Alves (1898/1952)


Francisco de Moraes Alves nasceu em 1898, no Rio de Janeiro, sendo filho de José e Isabel, portugueses. Seu José, dono de botequim, falecido em 1919, não faria fortuna. Teve três irmãs: Ângela, a mais velha, Lina e Carolina. Lina, com o nome artístico de Nair Alves, seria conhecida atriz de revista e radioatriz. José, seu único irmão, possuía bonita voz, mas veio a falecer com apenas 18 anos, em 1918, durante a gripe espanhola.


Cursou apenas a escola primária e desde cedo interessou-se pela música. Da irmã Nair ganhou uma guitarra e as primeiras lições. Começou sua carreira de cantor em abril de 1918, na Companhia de João de Deus-Martins Chaves. Depois ingressou na Companhia de Teatro São José, do empresário José Segreto.




Em 1919, para o Carnaval de 1920, levado por Sinhô, gravou dois discos com a marcha O pé de anjo e os sambas Fala meu louro e Alivia estes olhos, todas de Sinhô. Ganhava a vida como motorista de praça, apresentando-se como cantor-ator secundário de revistas musicais. Casou-se em 1920 com Perpétua Guerra Tutóia, de quem logo se separou. No mesmo ano conheceu a atriz-cantora Célia Zenatti, sua companheira por 28 anos.

Em 1924 gravou para o Carnaval dois discos na Odeon, com o samba Miúdo (Sebastião Santos Neves) e as marchas Não me passo pra você e Mlle. Cinéma (ambas de Freire Júnior). Voltou em 1927 à Odeon na qual rapidamente gravou 11 discos com 19 músicas ainda no sistema mecânico, com destaque para Cassino Maxixe (primeira versão de Gosto que me Enrosco) e Ora Vejam Só, sambas de Sinhô.

Em julho de 1927, quando a Odeon inaugurou no Brasil o sistema elétrico de gravações, foi o intérprete da marcha Albertina e do samba Passarinho do Má (ambas de Duque), as duas faces do primeiro disco produzido eletricamente, o Odeon 10.001. Em 1928 passou a gravar concomitantemente na Parlophon, subsidiária da Odeon, utilizando o apelido de Chico Viola. Abaixo, Passarinho do Má, na voz de Francisco Alves:



Passarinho do Má (samba, 1927) - Antonio Lopes do Amorim Diniz (Duque) - 
Intérprete: Francisco Alves



Em 1929 fez sua estréia no rádio, apresentando-se na Rádio Sociedade. Seus discos começaram a sair em profusão e sem tardar alcançou o topo do qual jamais saiu até falecer. Só em 1928 e 1929 gravou quase 300 músicas de reconhecida qualidade. Interpretou todos os gêneros e foi quem mais gravou em toda a história dos discos de 78 rpm no Brasil: 526 discos com 983 músicas. 




Como compositor deixou cerca de 132 músicas, sendo seu forte a melodia. Em 1928 fez na Parlophon o primeiro registro da canção A Voz do Violão, melodia sua e versos de Horácio Campos, grande sucesso, tanto que a regravou em 1929, 1939 e 1951. 


A Voz do Violão (valsa-canção, 1928) - Francisco Alves e Horácio Campos - 
Intérprete: Francisco Alves






Nesse ano também lançou de Sinhô os sambas A Favela Vai Abaixo, Ora Vejam Só (segunda matriz) e Não Quero Saber Mais Dela, em dueto com Rosa Negra, e de Pixinguinha com letras de Cícero de Almeida os sambas Festa de Branco e Samba de Nego, bem como a modinha Malandrinha, de Freire Júnior, e a canção Lua Nova, sua e de Luís Iglésias. Nos anos de 1929 e 1930, de campanha presidencial, foi quem mais gravou canções de conteúdo político, como em 1929, o samba É Sim Senhor e a marcha Seu Doutor (ambos de Eduardo Souto), a marcha Seu Julinho vem (Freire Júnior), e, em dueto com Araci Cortes, o samba É no Toco da Goiaba (Eduardo Souto e José Jannyni). Abaixo, algumas dessas composições:

Não Quero Saber Mais Dela (samba, 1927) - Sinhô - Intérpretes: Francisco Alves e Rosa Negra




Lua Nova (canção, 1929) - Francisco Alves e Luís Iglesias - Intérprete: Francisco Alves




É Sim Senhor (samba/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves



Seu Doutor (marcha/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves


No Carnaval de 1930 obteve notável êxito com a marcha Dá nela (Ary Barroso). Outro sucesso memorável foi sua gravação do Hino a João Pessoa (Eduardo Souto e Osvaldo Santiago), antes da revolução de outubro desse ano, durante o qual também excursionou pela primeira vez ao exterior, apresentando-se em Buenos Aires, Argentina, com a companhia de revistas musicais de Jardel Jércolis. Na volta a Odeon reuniu-o a Mário Reis, por sugestão sua, para cantarem em dupla, estreando com os sambas Deixa essa mulher chorar (Brancura) e Quá, quá, quá (Lauro dos Santos), êxitos no Carnaval de 1931. A dupla durou até o final de 1932 e deixou 12 discos com 24 gravações importantes, entre as quais o samba Se Você Jurar (1931), com Ismael Silva e Nílton Bastos, Marchinha do Amor (1932), de Lamartine Babo, a marcha Formosa (Carnaval de 1933), de Nássara e J. Rui, e Fita Amarela (Carnaval de 1933), de Noel Rosa.


Dá Nela (marcha/carnaval, 1930) - Ary Barroso - Interpretação: Francisco Alves


Deixa essa Mulher Chorar (samba, 1931) - Sílvio Fernandes - 
Intérpretes: Francisco Alves e Mário Reis



Se Você Jurar (samba, 1931) - Ismael Silva e Nilton Bastos - 
Intérpretes: Mário Reis e Francisco Alves


Formosa (marcha/carnaval, 1933) - Antônio Nássara e J. Rui - 
Intérpretes: Mário Reis e Francisco Alves


Fita Amarela (samba, 1933) - Noel Rosa - Intérpretes: Francisco Alves e Mário Reis



Em 1931 gravou entre outros sucessos a versão da valsa Dançando com Lágrimas nos Olhos (Joe Burke e Lamartine Babo), a modinha Deusa (Freire Júnior) e o samba Mulher de Malandro (Heitor dos Prazeres), no Carnaval de 1932, primeiro prêmio no primeiro concurso oficial de músicas carnavalescas. Ainda nesse ano lançou o samba Gandaia (seu com Ismael Silva) e Para Me Livrar do Mal (Ismael e Noel Rosa) e começou sua parceria com Orestes Barbosa, apenas letrista, com a canção Meu Companheiro, que produziu 14 composições até 1934.


Mulher de Malandro (samba, 1932) - Heitor dos Prazeres e Francisco Alves - 
Intérprete: Francisco Alves


Em 1933 gravou de Noel Rosa os sambas Fita Amarela, já referido, Pra Esquecer, Feitio de Oração (c/Vadico) em dueto com Castro Barbosa, Não Tem Tradução, entre outros, bem como a marcha junina Cai, Cai, Balão (Assis Valente), com Aurora Miranda em sua estréia no disco, a rumba Garimpeiro do Rio das Garças (João de Barro), a canção Pálida Morena (Freire Júnior). Nesse ano, o locutor César Ladeira deu-Ihe o slogan de Rei da Voz.


Pálida Morena (tango-canção, 1933) - Freire Júnior - Intérprete: Francisco Alves


Em 1934 transferiu-se para a RCA Victor, na qual ficou até 1937. Passou a dirigir um programa na Rádio Cajuti, nele lançando o cantor Orlando Silva, que se tornaria seu grande rival junto ao público. Ainda em 1934 gravou a valsa A Mulher Que Ficou na Taça (sua com Orestes) e fez aquele que seria seu único disco com Carmen Miranda, com a marcha Retiro da Saudade (Noel Rosa e Nássara). Tinha se iniciado de certa forma no cinema em Voz do Carnaval (1933), de Ademar Gonzaga, no qual foi aproveitada apenas sua voz tirada de discos. Abaixo, cantores e compositores dos Anos 30:



Em 1935 estréia de fato na tela em Alô, Alô Brasil, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, a que se seguiriam os filmes Alô, Alô Carnaval, de Ademar Gonzaga (1936), Laranja da China (1940), de J. Rui, e Samba em Berlim (1943), Berlim na Batucada (1944), Pif Paf (1945), Caídos do Céu (1946) e Esta é Fina (1948), todos de Luís de Barros. No Carnaval de 1935 lançou o samba Foi Ela (Ary Barroso) e a marcha Grau Dez (Ary e Lamartine) e depois o samba Na Virada da Montanha (mesma parceria).


Foi Ela (samba, 1935) - Ary Barroso - Intérprete: Francisco Alves


Grau Dez (marcha/carnaval, 1935) - Lamartine Babo e Ary Barroso - 
Intérpretes: Lamartine Babo e Francisco Alves


Depois de vários anos, e pela última vez, atuou no teatro musicado na bem sucedida burleta Da Favela ao Catete, de Freire Júnior. No Carnaval de 1936 lançou as marchas Manhãs de Sol (João de Barro e Alberto Ribeiro), Uma Porta e uma Janela (Nássara e Roberto Martins), A.M.E.I. (Nássara e Eratóstenes Frazão), os sambas É Bom Parar (Rubens Soares) e Me Queimei (Nássara e Valfrido Silva) e no meio do ano o samba Favela (Roberto Martins e Valdemar Silva). Nas festas juninas foi muito cantada a marcha Pula a Fogueira (Getúlio Marinho e João Bastos Filho). Nesse ano apresentou-se na Radio El Mundo, de Buenos Aires, por dois meses, tendo levado Alzirinha Camargo e Benedito Lacerda, e também publicou sua autobiografia Minha Vida.


A.M.E.I. (marcha/carnaval, 1936) - Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão - 
Intérprete: Francisco Alves


Em 1937 gravou o samba-canção Serra da Boa Esperança (Lamartine Babo). Em 1938, no Carnaval pernambucano, marcou sucesso com as gravações dos frevos Ui, que Medo Eu Tive! (Aníbal Portela e José Mariano) e Júlia (Capiba) e, no Carnaval carioca, com os sambas Ando Sofrendo (Roberto Martins e Alcebíades Barcelos) e Vão pro Scala de Milão (Ary Barroso). Nos gêneros sentimentais, lançou o samba-canção A Única Lembrança (Ary Barroso) e a canção Meu Romance (Saint-Clair Senna).


Serra da Boa Esperança (samba-canção, 1937) - Lamartine Babo - Intérprete: Francisco Alves


Em 1939 registrou as valsas Diga-me e Minha adoração (ambas de Nelson Ferreira) e Valsa dos Namorados (Silvino Neto) e o gênero a que se chamou "samba-exaltação" com Aquarela do Brasil (Ary Barroso), designado no selo do disco "cena brasileira". Transferiu-se para a Columbia e gravou nesse gênero Brasil (Benedito Lacerda e Aldo Cabral), em dueto com Dalva de Oliveira, 1939; Onde o Céu Azul é Mais Azul (João de Barro, Alberto Ribeiro e Alcir Pires Vermelho), 1940; Canta Brasil (Alcir e David Nasser), 1941; Bahia com H (Denis Brean), 1947; São Paulo, Coração do Brasil (com David Nasser), 1951, e outros.


Brasil (samba, 1939) - Benedito Lacerda e Aldo Cabral - 


Onde o Céu Azul é Mais Azul (samba, 1941) - Alcir Pires Vermelho, Alberto Ribeiro e Braguinha - Intérprete: Francisco Alves


Canta Brasil (samba, 1941) - Alcir Pires Vermelho e David Nasser - Intérprete: Francisco Alves


Bahia com H (samba, 1948) - Denis Brean - Intérprete: Francisco Alves


Em 1940 lançou no Carnaval a marcha Dama das Camélias (Alcir e João de Barro) e os sambas Solteiro é Melhor (Rubens Soares e Felisberto Silva) e Despedida de Mangueira (Benedito Lacerda e Aldo Cabral). Em 1941 lançou os sambas carnavalescos Poleiro de Pato é no Chão (Rubens Soares) e Eu não Posso Ver Mulher (Osvaldo Santiago e Roberto Roberti) e a valsa Eu sonhei que Tu Estavas Tão Linda (Francisco Matoso e Lamartine Babo). Depois de atuar em diversas emissoras, fixou-se a partir de 1941 na Rádio Nacional até falecer. Seu programa dos domingos ao meio-dia, Quando os Ponteiros se Encontram, apresentado pela locutora Lúcia Helena, obteve maciça audiência em todo o Brasil.



Dama das Camélias (marcha/carnaval, 1940) - João de Barro e Alcir Pires Vermelho - Intérprete: Francisco Alves





Solteiro é Melhor (samba/carnaval, 1940) - Rubens Soares e Felisberto Silva - 
Intérprete: Francisco Alves


Em 1942 foi um dos vencedores do Carnaval com Sandália de Prata (Alcir e Pedro Caetano) e, na música romântica, lançou as valsas Carnaval da Minha Vida (Benedito Lacerda e Aldo Cabral) e Capela de São José (Marino Pinto e Herivelto Martins). Em 1943 gravou as versões dos foxes-canções Beija-me Muito (Consuelo Velazquez e David Nasser) e O Amor é Sempre Amor (Hupfeld e Jair Amorim), e a valsa-bolero A mulher e a Rosa (Alcir e Davi Nasser) e, em 1944, no Carnaval, a marcha Eu Brinco (Pedro Caetano e Claudionor Cruz) e o samba Odete (Herivelto Martins e Waldemar de Abreu), com o Trio de Ouro. Em tempo de guerra gravou Canção do Expedicionário (Espártaco Rossi e Guilherme de Almeida) e várias versões.


Eu Brinco (marcha/carnaval, 1944) - Pedro Caetano e Claudionor Cruz - Intérprete: Francisco Alves


Odete (samba/carnaval, 1944) - Herivelto Martins e Dunga - Intérprete: Francisco Alves


Em 1945 seus sucessos no Carnaval foram o samba Izaura (Herivelto Martins e Roberto Roberti) e Que Rei Sou Eu? (Herivelto e Valdemar da Ressurreição); em 1946, a marcha Palacete no Catete (Herivelto e Ciro de Sousa) e o samba Vaidosa (Herivelto e Artur Morais); depois, o samba Fracasso (Mário Lago) e as regravações da canção Minha Terra (Valdemar Henrique) e do fox-canção O Cigano (Marcelo Tupinambá e Gastão Barroso).

Izaura (samba, 1945) - Herivelto Martins e Roberto Roberti - Intérprete: Francisco Alves


Que Rei Sou Eu? (samba/carnaval, 1945) - Herivelto Martins e Valdemar Ressurreição - 
Intérprete: Francisco Alves


Em 1947, no Carnaval, fez sucesso com o samba Palhaço (Herivelto e Benedito Lacerda) e depois com Adeus (Cinco Letras que Choram) (Silvino Neto), Bahia com H, já referido, e os sambas-canções Nervos de Aço (Lupicínio Rodrigues) e Caminhemos (Herivelto Martins); em 1948, o samba Falta um Zero no Meu Ordenado (Ary Barroso e Benedito Lacerda). Vieram então os sambas-canções Quem Há de Dizer (Lupicínio e Alcides Gonçalves), Esses Moços (Pobres Moços) (Lupicínio) e Madrugada (Herivelto e Evaldo Rui).


Falta um Zero no Meu Ordenado (samba/carnaval, 1948) - Ary Barroso e Benedito Lacerda - 
Intérprete: Francisco Alves


Em 1949 foram sucessos carnavalescos os sambas Maior é Deus (Felisberto Martins e Fernando Martins) e a marcha Pode Matar Que é Bicho (sua com Haroldo Lobo e Nilton de Oliveira) e, em 1950, foi muito cantado o samba A Lapa (Herivelto e Benedito Lacerda); lançou ainda os sambas-exaltação Forasteiro e Aquarela Mineira (ambos de Ary Barroso) e o samba Maria Rosa (Lupicínio Rodrigues).


Maria Rosa (samba, 1950) - Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves - Intérprete: Francisco Alves


Em 1951, foi a vez dos sambas Deus lhe pague (Polera, André Penazzi e Davi Nasser) e Lili (Haroldo Lobo e Davi Nasser), das marchas Holandesa (Davi Nasser e Haroldo Lobo), com Dalva de Oliveira e Retrato do Velho (Haroldo Lobo e Marino Pinto) e do samba-exaltação São Paulo, Coração do Brasil (com David Nasser). A parceria com David Nasser, iniciada em 1940, resultou em 20 composições e um livro de bolso biográfico, escrito por David, Chico Viola, publicado em 1966.
Em 1952, no Carnaval, teve muito êxito com a marcha Confete (Jota Júnior e David Nasser). 


Retrato do Velho (marcha/carnaval, 1951) - Haroldo Lobo e Marino Pinto - 
Intérprete: Francisco Alves


Confete (marcha/carnaval, 1952) - David Nasser e Jota Júnior - Intérprete: Francisco Alves


Faleceu neste ano, em desastre de automóvel na Via Dutra, quando o Buick que dirigia recebeu o choque de um caminhão na contramão.







Chico Viola

Chora Estácio,
Salgueiro e Mangueira,
Todo o Brasil emudeceu,
Chora o mundo inteiro,
O Chico Viola Morreu.


Chora Estácio,

Salgueiro e Mangueira,
Todo o Brasil emudeceu,
Chora o mundo inteiro,
O Chico Viola Morreu.



Na voz do seu plangente violão,

Ele deixou, seu coração,
Partiu, disse adeus, foi pro céu,
Foi fazer, foi fazer,
Companhia a Noél.



Na voz do seu plangente violão,

Ele deixou, seu coração,
Partiu, disse adeus, foi pro céu,
Foi fazer, foi fazer,
Companhia a Noél....




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