sábado, 20 de novembro de 2010

A Música no Brasil - 1901 a 1905


Como era o cenário musical do Brasil, entre 1901 e 1905? Vamos tentar imaginar...

I - NOMES

Em 1901, quando iniciava o século XX, Francisca Edwiges Neves Gonzaga completou 54 anos. Nascida em 1847, ela já tinha muito o que contar: seu pai era general do Exército e sua mãe era uma mulata humilde, sendo que seu padrinho foi o Duque de Caxias. Estudou mais do que muitas moças de sua época, mas adorava ritmos africanos como o lundu, que não eram bem aceitos nas "casas de família".
Aos 11 anos fez sua primeira composição ("Canção dos Pastores") e aos 16 teve que casar com o oficial da Marinha Jacinto Ribeiro do Amaral, conforme escolha do pai militar. Com ele, teve três filhos: João Gualberto, Maria do Patrocínio e Hilário). Mas o casamento não deu certo, porque ele vivia a serviço e a proibia de compor. Assim, Francisca abandonou o marido, perdendo a guarda dos filhos mais novos.
Aos 20 anos, foi viver com o engenheiro João Batista de Carvalho, com quem teve a filha Alice Maria. Mas ele a traía muito, e Francisca também o abandonou, perdendo a guarda da filha.
Assim, ela foi viver de fazer música, enfrentando o preconceito da época ("mulher separada", "criando filho sozinha", vivendo de música") e fazendo o que gostava: dava aulas de piano e compunha suas músicas.
Aos 52 anos, Chiquinha Gonzaga conheceu João Batista Fernandes Lage, por quem se apaixonou e com quem foi viver. O detalhe é que ele tinha 16 anos. Assim, foram morar em Lisboa, Portugal, durante alguns anos. E ela viveria com ele até a sua morte, em 1935...

II - COMPOSIÇÕES

1901 - "Ó Abre Alas" (Chiquinha Gonzaga);
1902 - "Isto É Bom" (Xisto Bahia);
1904 - "Corta-Jaca" (Chiquinha Gonzaga) e "Saudades de Matão" (Jorge Galati);

III - NASCIMENTOS

1902 - Clementina de Jesus (cantora)
1903 - Ary Barroso (compositor);
1904 - Lamartine Babo (compositor)
1905 - Bidu Sayão (cantora) e Ismael Silva (compositor);

IV - NOVIDADES

Frederico Figner (1866/1947), nasceu na Boêmia (Tchecoslováquia) e emigrou para os Estados Unidos, e depois para o Brasil, com apenas 15 anos (1891). Ele foi o primeiro a viajar pelo Brasil, mostrando a todos o que era um fonógrafo.
Depois, fixou-se no Rio de Janeiro, onde abriu, em 1902, a Casa Édison, a primeira gravadora comercial do brasil.
Em 1902, Xisto Bahia compôs o lundu "Isto É Bom", que foi gravado num disco de cera de carnaúba, o Zono-o-Phone 10.001, tornando-se o primeiro disco gravado no Brasil.



V - NO EXTERIOR

Em 1902, o tenor italiano Enrico Caruso (1873/1921) gravou seu primeiro disco, tornando-se mundialmente famoso e ajudando a popularizar os gramofones e os discos. Pode-se dizer que ele foi o primeiro "astro popular" da música.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

19 de Novembro - Dia da Bandeira



19/11/1905: É executado pela primeira vez o “Hino à Bandeira” (música de Francisco Braga, letra de Olavo Bilac), composto sob encomenda de Francisco Pereira Passos, prefeito do Rio de Janeiro.

sábado, 13 de novembro de 2010

Saudades do Matão - 1904

Para quem pensa que "Saudade do matão" é uma música sertaneja e é recente, aqui está: "Saudade do Matão" é de 1904 e é uma valsa e não música sertaneja. Par auqem não a conhece, consegui a gravação de 1941, na voz de Carlos Galhardo">

Saudades de Matão (valsa, 1904) - Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres

Neste mundo eu choro a dor / Por uma paixão sem fim
Ninguém conhece a razão / Porque eu choro tanto assim
Quando lá no céu surgir / Uma peregrina flor
Pois todos devem saber / Que a sorte me tirou foi uma grande dor
Lá no céu junto a Deus / Em silêncio minh’alma descansa
E na terra, todos cantam
Eu lamento minha desventura nesta grande dor
Ninguém me diz / Que sofreu tanto assim
Esta dor que me consome / Não posso viver / Quero morrer
Vou partir prá bem longe daqui
Já que a sorte não quis / Me fazer feliz.

Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Retirado de Cifra Antiga

domingo, 7 de novembro de 2010

Lundu

"Iaiá você quer morrer
Quando morrer, morramos juntos
Que eu quero ver como cabem
Numa cova dois defuntos"

(Isto É Bom, lundu de Xisto Bahia)

O lundu surgiu da fusão de elementos musicais de origens branca e negra, tornando-se o primeiro gênero afro-brasileiro da canção popular. Realmente, essa interação de melodia e harmonia de inspiração européia com a rítmica africana se constituiria em um dos mais fascinantes aspectos da música brasileira. Situado, pois, nas raízes de formação dos nossos gêneros afros, processo que culminaria com o advento do samba, o lundu foi originalmente uma dança sensual praticada por negros e mulatos em rodas de batuque, só se fixando como canção no final do século XVIII. Assim, a referência mais remota encontrada sobre o lundu-música está na Viola de Lereno, coletânea de composições de Domingos Caldas Barbosa, publicada em Portugal em 1798.

Composto em compasso binário e na maioria das vezes no modo maior, o lundu é uma música alegre e buliçosa, de versos satíricos, maliciosos, variando bastante nos esquemas formais. Muitos de nossos compositores populares do século XIX fizeram lundus, pertencendo a esse repertório peças de grande popularidade como Lá no Largo da Sé (Cândido Inácio da Silva), Lundu da Marrequinha (Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional, e Francisco de Paula Brito), Eu Não Gosto de Outro Amor (Padre Teles) e Onde Vai, Senhor Pereira de Morais (Domingos da Rocha Mussurunga).

Mas o grande nome do lundu só surgiria no final do século XIX na figura do ator, cantor e compositor baiano Xisto Bahia (1841-1894), mais afamado do que Laurindo Rabelo (1826-1864), o Poeta Lagartixa, também cultor do gênero que o antecedeu nas rodas musicais do Rio de Janeiro. São de Xisto Bahia os lundus O Camaleão, Canto de Sururina, O Homem, O Pescador, A Preta Mina e o célebre Isto É Bom, música gravada no primeiro disco brasileiro. Com o aparecimento de outros gêneros afro-brasileiros mais expressivos, o lundu saiu de moda no começo do século XX.

Músicas

Os Beijos-de-Frade (Henrique Alves de Mesquita) – Banda dirigida por L.Gonzaga Carneiro
O Pescador (Xisto Bahia) – Maria Marta
Isto É Bom (Xisto Bahia) – Nara Leão
Lundu da Marrequinha (Francisco Manoel da Silva e Francisco de Paula Brito) – Orquestra Dirigida por Milton Calazans
Loirinha (José de Almeida e Martin Francisco Jr.) – Maria Marta
O Camaleão (Xisto Bahia) – Maria Marta
Lá no Largo da Sé (Cândido Inácio da Silva) – Orquestra Dirigida por Milton Calazans
Lundu Chorado (Nei Lopes) – Nei Lopes
Esta Noite (José Francisco Leal) – Andréa Daltro

Fonte: http://cliquemusic.uol.com.br/generos/ver/lundu

Imagem: Johann Moritz Rugendas (1808/1858) - "Lundu", quadro pintado entre 1822 e 1825

Para Ouvir "Isto É Bom", de 1902: http://cifrantiga3.blogspot.com/2006/03/isto-bom.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

1917 - Pelo Telefone




Pelo Telefone (samba, 1917) - Donga e Mauro de Almeida

O chefe da folia pelo telefone manda lhe avisar
Que com alegria não se questione para se brincar
O chefe da polícia pelo telefone manda lhe avisar
Que na Carioca tem uma roleta para se brincar

- Ai, ai, ai,
- Deixa as mágoas para trás ó rapaz
- Ai, ai, ai,
- Fica triste se é capaz, e verás :

Tomara que tu apanhes
Pra nunca mais fazer isso
Tirar o amor dos outros
E depois fazer feitiço

Ai se a rolinha (Sinhô, sinhô)
Se embaraçou (Sinhô, sinhô)
É que a avezinha (Sinhô, sinhô)
Nunca sambou (Sinhô, sinhô)
Porque este samba (Sinhô, sinhô)
É de arrepiar (Sinhô, sinhô)
Põe perna bamba (Sinhô, sinhô)
E faz chorar

"Pelo Telefone" é considerado o primeiro samba feito no Brasil. No próximo post, falarei mais sobre ele.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Pixinguinha


Alfredo da Rocha Viana Filho, conhecido como Pixinguinha, (1897/1973) foi um flautista, saxofonista, compositor, e arranjador brasileiro.
Pixinguinha é considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, contribuiu diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical definitiva.
Era filho do músico Alfredo da Rocha Viana, funcionário dos correios, flautista e que possuía uma grande coleção de partituras de choros antigos. Pixinguinha aprendeu música em casa, fazendo parte de uma família com vários irmãos músicos, entre eles o China (Otávio Viana). Foi ele quem obteve o primeiro emprego para o garoto, que começou a atuar em 1912 em cabarés da Lapa e depois substituiu o flautista titular na orquestra da sala de projeção do Cine Rio Branco. Nos anos seguintes continuou atuando em salas de cinema, ranchos carnavalescos, casas noturnas e no teatro de revista.
Pixinguinha integrou o famoso grupo Caxangá, com Donga e João Pernambuco. A partir deste grupo, foi formado o conjunto Oito batutas, muito ativo a partir de 1919. Na década de 1930 foi contratado como arranjador pela gravadora RCA Victor, criando arranjos celebrizados na voz de cantores como Francisco Alves ou Mário Reis. No fim da década foi substituído na função por Radamés Gnattali. Na década de 1940 passou a integrar o regional de Benedito Lacerda, passando a tocar o saxofone tenor. Algumas de suas principais obras foram registradas em parceria com o líder do conjunto, mas hoje se sabe que Benedito Lacerda não era o compositor, mas pagava pelas parcerias.
Quando compôs "Carinhoso", entre 1916 e 1917 e "Lamentos" em 1928, que são considerados alguns dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz, enquanto hoje em dia podem ser vistas como avançadas demais para a época. Além disso, "Carinhoso" na época não foi considerado choro, e sim uma polca. Outras composições, entre centenas, são "Rosa", "Vou Vivendo", "Lamentos", "1 x 0", "Naquele Tempo" e "Sofres Porque Queres".
No dia 23 de abril comemora-se o Dia Nacional do Choro, trata-se de uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha. A data foi criada oficialmente em 4 de setembro de 2000, quando foi sancionada lei originada por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola de Choro Raphael Rabello.
Pixinguinha faleceu na Igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, quando seria padrinho de um batizado. Foi enterrado no Cemitério de Inhaúma.

Chorinhos e Chorões

O Choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero musical, uma música popular e instrumental brasileira, com mais de 130 anos de existência. Os conjuntos que o executam são chamados de regionais e os músicos, compositores ou instrumentistas, são chamados de chorões. Apesar do nome, o gênero é em geral de ritmo agitado e alegre, caracterizado pelo virtuosismo e improviso dos participantes, que precisam ter muito estudo e técnica, ou pleno domínio de seu instrumento. O choro é considerado a primeira música popular urbana típica do Brasil e difícil de ser executado.
O conjunto regional é geralmente formado por um ou mais instrumentos de solo, como flauta, bandolim e cavaquinho, que executam a melodia. O cavaquinho faz o centro do ritmo e um ou mais violões e o violão de 7 cordas formam a base do conjunto, além do pandeiro como marcador de ritmo.
Surgiu provavelmente em meados de 1870, no Rio de Janeiro, e nesse início era considerado apenas uma forma abrasileirada dos músicos da época tocarem os ritmos estrangeiros, que eram populares naquele tempo, como os europeus xote, valsa e principalmente polca, além dos africanos como o lundu. O flautista Joaquim Calado é considerado um dos criadores do Choro, ou pelo menos um dos principais colaboradores para a fixação do gênero, quando incorporou ao solo de flauta, dois violões e um cavaquinho, que improvisavam livremente em torno da melodia, uma característica do Choro moderno, que recebeu forte influência dos ritmos que no início eram somente interpretados, demorando algumas décadas para ser considerado um gênero musical.
Alguns dos chorões mais conhecidos são Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha. Alguns dos choros mais famosos são
"Tico-Tico no Fubá", de Zequinha de Abreu
"Brasileirinho", de Waldir Azevedo
"Noites Cariocas", de Jacob do Bandolim
"Carinhoso" e "Lamento" de Pixinguinha
"Odeon", de Ernesto Nazareth
Dentre as composições de Heitor Villa-Lobos, o ciclo dos Choros é considerado a mais significativa. O chorão mais conhecido e ativo na atualidade é o virtuoso flautista e compositor Altamiro Carrilho, que já se apresentou em mais de 40 países
difundindo o gênero.

Vídeo: Marisa Monte e Paulinho da Viola executando "Carinhoso", de Pixinguinha.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...